Sou aluno na Faculdade de Direito da USP, no Largo de São Francisco e radicalmente contrário a qualquer tipo de humilhação, contra quem quer que seja. O fato é que, na última quinta, dia 08 de março de 2007, ocorreu algo inimaginável na Faculdade. Os alunos de primeiro ano estavam em aula, por volta de 21h, quando um bando de aproximadamente 40 alunos arruaceiros, cantando trovas ofensivas, e dizendo palavrões adentrou o corredor que fica entre as salas de aula.
O barulho que eles faziam já tornava impossível a compreensão de qualquer aula, porém, a situação piorou quando eles começaram a abrir a porta e mostrar intenção de entrar.
O professor, irritado, trancou a porta, que foi aberta a força pelos vândalos. Ainda, na tentativa de impedir-lhes a entrada, o professor posicionou-se frente à porta, mas foi empurrado e um dos invasores tomou-lhe o microfone e depois saíram.
O professor novamente trancou a porta, e continuou a aula, mesmo sem microfone, mas os indivíduos, inconformados com a persistência, começaram a investir contra a porta até arrombá-la. A porta, de largura de aproximadamente três metros, caiu sobre uma cadeira, que se despedaçou. Além de quase atingir o professor e os alunos da primeira fileira.
Após o arrombamento, entraram com um extintor, descarregando-o sobre os alunos de primeiro ano. Por sorte, entre os alunos, havia um que possuía um tubo de gás pimenta e pulverizou-o contra os agressores, dispersando-os e expulsando-os momentaneamente. Depois de passados alguns minutos, eles voltaram e cercaram a saída da sala.
A turma formou uma corrente para tentar sair da sala, sob a liderança do aluno supracitado. Mas, este foi insultado, fotografado e ameaçado, inclusive de morte. Após isso, chegaram o Inspetor da Faculdade, e depois a PM, e a turma, enfim, pôde sair.
Houve ainda mais ameaças, quando da saída do aluno que defendeu os demais, inclusive, com uma salva de palmas irônicas e pedidos para que ele nunca mais voltasse àquela Faculdade.
Isso é uma amostra de que estamos longe de acabar com essa pouca vergonha. Essa prática é repudiável e deve ser banida.
Estou na luta, não só por mim, ou por minha geração, mas também, para que esse tipo de atitude seja erradicado, e que nossos filhos e netos não sejam obrigados a passar pelo mesmo constrangimento.