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Quarta-feira, 08 de setembro de 2010 - 20:30   

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Antônio Ribeiro de Almeida Júnior; Oriowaldo Queda
www.antitrote.org

Editorial # 1 - novembro de 2005
O trote universitário é um problema pouco debatido no Brasil. Este site pretende disseminar o conhecimento disponível a respeito do assunto. Partimos da idéia de que o trote é uma relação instituição - estudante e não meramente uma relação entre estudantes, como muitas vezes se pensa. Para nós, o trote é um ritual de exclusão e não de integração, dividindo os estudantes em grupos trotistas e não trotistas. Nas práticas trotistas, manifestam-se preconceitos de todos os tipos, sendo particularmente presentes os preconceitos de classe, raciais e de gênero. Um exemplo evidente da presença dos preconceitos são os apelidos que fazem referência à origem étnica, às opções religiosas, à aparência física etc. Acreditamos também que não é possível separar brincadeira de violência e que todo trote é violento.
A constituição e manutenção de grupos trotistas dentro da Universidade dá sustentação política para propostas conservadoras dentro dos campi. Por isso, nossa intenção é contribuir para a extinção de qualquer forma de trote nas Universidades brasileiras. Os novos estudantes universitários devem ser recebidos com respeito e não com trote.


Editorial # 2 - Janeiro 2006
Este site tem como objetivo principal o combate ao trote em todas as suas manifestações. Quando se trata de trote, não acreditamos na distinção entre brincadeira e violência. Muitas campanhas querem combater apenas o chamado "trote violento". Para nós, todo trote é violento e pretendemos combater todo o trote. Consideramos que o trote é uma manifestação contrária à democracia e que as Universidades brasileiras ganhariam muito com a extinção desta prática.


Editorial # 3 - Fevereiro de 2006
Neste ano de 2006, novamente, assistimos aos trotes e à suas barbáries, sem que as autoridades universitárias cumpram com o seu dever. A Universidade não pode ser um local da desumanização e da desumanidade. Tudo se passa como se o trote fosse uma atividade absolutamente natural, necessária e que não causasse nenhum dano às pessoas. No entanto, todos os anos, temos assistido à desistências de alunos que ingressaram na Universidade, à violências psicológicas e físicas de toda ordem.

Os cientistas socias ignoram os problemas e expõem pomposamente opiniões sem fundamento na realidade, restritos a idéias mal concebidas sobre os ritos de passagem. Os psicólogos insistem em explicações sobre o sadismo e o masoquismo, que atingem apenas superficialmente os problemas relacionados ao trote. Os educadores e estudiosos da educação pouco fazem para debater ou debelar o trote. Ficamos imersos na ignorância e na reprodução de opiniões de senso comum, mas de pouco bom senso.

O trote é uma fonte de graves problemas que a Universidade vivencia. Ele divide os alunos, gerando ódios que perduram por toda a vida universitária e além. Ele ajuda a constituir grupos políticos irresponsáveis que se apossam de instituições universitárias e que comandam os destinos da pesquisa e do ensino superior. Mas, parecemos preferir estudar assuntos menos polêmicos, acreditando talvez que não precisamos nos envolver nos embates de nosso tempo.


Editorial #4 - agosto 2006
As notícias sobre o trote na Universidade Federal de Uberlândia preocupam (ver novo link: Universidade expulsa alunos por envolvimento em trote violento). Esperamos que a Universidade mantenha sua decisão de punir os culpados e que isto sirva de exemplo para outras Universidades públicas e privadas.
Sabemos que é preciso modificar as culturas institucionais que sustentam as atividades trotistas, mas sabemos também que apenas atividades educacionais não são suficientes em ambientes onde o trote encontra-se instalado. Por isso, em alguns momentos, serão necessárias claras demonstrações do compromisso da Universidade com um ambiente civilizado e propício ao desenvolvimento acadêmico e cultural dos alunos.



      

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