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Quarta-feira, 08 de setembro de 2010 - 20:52   

Artigos

Avaliação da Semana de Recepção e Sugestões (Esalq)

Antônio Ribeiro de Almeida Júnior; Oriowaldo Queda
Trote na Esalq

Avaliação da Semana de Recepção e Sugestões encaminhada à diretoria da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz - Esalq - USP

Piracicaba, 19 de março de 2002.

Prezados Professores,

Neste ano de 2002, a Comissão de Recepção realizou uma série de atividades que passamos a avaliar por solicitação de seu presidente o Prof. Quirino Carmelo. Fazemos também algumas sugestões para tentar melhorar as atividades desta Comissão e para que esta possa alcançar os seus objetivos.
Antes de tudo, é apropriado afirmar que as atividades realizadas este ano representaram um grande avanço. A Comissão demonstrou enorme coragem e determinação ao enfrentar o problema do trote, provocando um debate como nunca antes visto na ESALQ. Sem desmerecer o que tenha sido realizado por comissões anteriores, caberia festejar aquilo que foi conquistado. No entanto, há circunstâncias que precisam ser devidamente equacionadas.
A Comissão de Recepção foi instituída pelo Reitor da USP com o objetivo de oferecer alternativas ao trote durante a Semana de Integração. Existem também outras instâncias responsáveis pela vigilância e punição das atividades ligadas ao trote. As ações da Reitoria da USP contra o trote foram intensificadas a partir da morte do aluno de medicina Edison Tsung Chi Hsueh.
Apesar da situação na ESALQ ser grave, isto não ocorre apenas aqui. A ambigüidade em relação ao trote é parte da cultura universitária brasileira. Combate-se a “violência”, os “exageros”, mas existe pudor ou temor em combater o trote. Pensa-se que é possível separar a violência da brincadeira e que seria injusto acabar com a “brincadeira” para coibir a violência. A própria portaria que proíbe o trote e a instauração de uma Semana de Integração esbarram nesta ambigüidade. Como pode ser que se proíba alguma coisa para, em seguida, estabelecer uma semana onde esta coisa é permitida? A confusão é tamanha que o Jornal da USP, na edição de 25/02 a 03/03, publicou uma série de fotos que claramente configuram a situação de trote, tentando mostrar que a Semana de Integração havia sido um sucesso.
Estes fatos também foram documentados pela grande imprensa. Por exemplo, no artigo publicado pelo Estado de S.Paulo, onde há uma foto na qual inequivocamente está ocorrendo trote (ver artigo anexo). “Na Faculdade de Educação Física, os alunos tinham de deixar registrada a sua vontade de participar do trote. Uma câmera de vídeo registrava a intenção do calouro, que também precisava deixar sua assinatura.” (Estado de S. Paulo 19/02/02) A situação é absurda. Na mesma linha de raciocínio, bastaria a um seqüestrador solicitar ao seqüestrado que autorizasse o seu seqüestro.
Na ESALQ, a Comissão de Recepção decidiu chamar de Semana de Recepção às atividades desenvolvidas durante a primeira semana do ano letivo. Este nome refletia a percepção da necessidade de romper com o passado, pois, tinha-se consciência que as atividades realizadas anteriormente não foram suficientes para substituir ou coibir o trote. Assim, a Comissão buscava formas de tratar o problema de modo mais eficiente. Várias inovações foram introduzidas, com grau variado de sucesso.
Entre as ações que tiveram maior repercussão, estão as palestras de alerta aos alunos e aos pais realizadas pelo Diretor, Prefeito do Campus e Presidente da Comissão de Recepção; a realização de dinâmicas de grupo para a preparação da Semana de Recepção e para integração dos alunos novos; o almoço com os pais e mães; a atividade ecológica com plantio de árvores; a palestra proferida pela representante da Consultoria Jurídica da USP; a proibição do uso do chapéu, das camisetas, da distribuição do “manual do bicho” durante a matrícula, dos pedágios, das “chispadas” etc.
Algumas destas ações enfrentaram grande resistência por parte dos alunos mais vinculados ao trote. Houve reações como a atitude de alguns alunos do segundo ano em diante de usar o chapéu, como forma de desafiar a proibição decidida pela Comissão. Houve também uma campanha de ataques às ações da Comissão, inclusive com a circulação de um e-mail do presidente do CALQ, afirmando que esta entidade daria respaldo jurídico aos acusados de participação no trote. Parecia que as acusações são feitas de modo injusto, ferindo direitos dos alunos. O e-mail chegava a classificar as ações da Comissão como “palhaçada”. Durante a matrícula, também houve assédio aos alunos ingressantes com pinturas corporais, corte de cabelo e outras ações que caracterizam o trote. Alunos ameaçaram também denunciar membros da Comissão por roubo, pois, tiveram os pincéis atômicos, que estavam utilizando para pintar os ingressantes, retidos. O “manual do bicho” acabou sendo distribuído durante a matrícula, contrariando a decisão da Comissão. Foi verificado inclusive que um dos alunos que estava distribuindo o “manual” era membro da Comissão. Enfim, foram muitos os atos de desobediência à portaria do Reitor e ao decreto do governador do Estado.
É muito triste ver alunos da ESALQ tentando defender o “direito” de dar trote. Em outras palavras, o “direito” de submeter, humilhar e ferir psicológica e fisicamente outros alunos. Principalmente, quando levamos em consideração que toda esta energia, inclusive a nossa, poderia destinar-se a fins muito mais elevados. O Brasil é um país que enfrenta muitos problemas sociais relevantes. A energia de nossos alunos deveria estar voltada para a resolução destes problemas e não para a defesa de algo abominável como o trote. Os próprios “trotistas” o reconhecem, pois, não têm coragem de publicamente defender suas práticas mais violentas, procurando atacar seus opositores por meios tortuosos.
A Comissão sempre tem apontado a necessidade da participação dos alunos como forma de encaminhar a resolução do trote. No entanto, alguns representantes dos alunos (diríamos dos trotistas) usaram e abusaram das mentiras, das tergiversações e de outros artifícios para deslocar a discussão, para não debater o trote e para tentar impor sua visão de mundo. Por exemplo, tentavam reduzir as análises do trote à condição de ataques às repúblicas. Estas práticas acabaram desviando, dificultando e, em certos momentos, intimidando a Comissão. É necessário que a Comissão reflita sobre quais alunos ela quer participando. Seria talvez um caminho melhor estimular a participação dos alunos não “trotistas” que, atualmente, encontram-se desorganizados e permanecem afastados da Comissão. Em muitos casos, a participação destes alunos é claramente tolhida pela presença e intimidação daqueles que estão comprometidos com o trote e que agem com grande agressividade.
Por exemplo, houve ameaças e intimidação pública a um aluno que se manifestou, durante as palestras feitas aos pais, afirmando que há consumo de drogas em algumas repúblicas. Durante a palestra da representante da Consultoria Jurídica, este aluno foi publicamente desqualificado por ter sido, no passado, internado para tratamento de desintoxicação. Ora, quem teria mais direito de falar deste assunto do que alguém que passou por esta experiência?
Os próprios alunos “trotistas” afirmam que o trote não pode ser coibido, que isto caracteriza uma ação “unilateral” e “autoritária” da Direção da USP e da ESALQ e, em particular, da Comissão de Recepção. Afirmam também que grande parte do trote é apenas “brincadeira”. Por exemplo, os “apelidos de bicho” são tidos como inofensivos pelos “trotistas”. Como pode ser inofensivo alguém ser chamado por um apelido de caráter negativo durante anos? O nome e também o apelido são importantes para a formação da identidade e, portanto, da personalidade. Nos adolescentes, esta formação está em curso e pode ser poderosamente afetada pela relação com o grupo. Em muitos casos, os apelidos referem-se claramente a aspectos físicos considerados negativos. Por exemplo, se o aluno de primeiro ano tem um nariz entendido como sendo “grande”, ele pode virar o Tucano. Qualquer aspecto físico que fuja de padrões estéticos determinados pela mídia, pode virar motivo de chacota e uma marca, muitas vezes, para o resto da vida.
Alunos que participaram da Comissão fizeram questão de dizer que seu apelido era seu nome e seu nome seu apelido. Tal ato é típico dos “trotistas” da ESALQ. Tal ato simbolizava a insensibilidade dos alunos para com o trabalho da Comissão que tem por objetivo extinguir o trote, substituindo suas práticas por atividades que valorizem, dignifiquem e de fato auxiliem na integração dos alunos que aqui chegam. Assim, este ato pode ser pensado como mais um desafio lançado pelos “trotistas” em face da Comissão, da direção da ESALQ e da USP. Uma verdadeira tentativa de desmoralizar o trabalho da Comissão, dando a impressão a muitos ingressantes de que a Comissão está validando esta atividade do trote.
A ESALQ e os alunos que aqui se encontram não são pais ou mães dos alunos que aqui chegam para lhes atribuir apelidos ou “nomes” como querem afirmar os “trotistas”. É conhecimento comum também que a adoção de um apelido é tanto maior quanto mais aquele a quem ele se refere resiste ao seu uso. Mas, tudo isto é entendido como “brincadeira” e os próprios professores dirigem-se a alunos pelos apelidos. Em alguns casos, estes apelidos são tão fortes que nem se sabe mais qual o nome real dos alunos.
Houve também o caso de uma aluna, membro da Comissão, que compareceu a uma reunião trajando uma camiseta que mostrava um “bicho” sendo esmagado por um rolo compressor dirigido por um viking. Vestimenta simbólica do espírito com o qual os alunos “trotistas” procuram a participação na Comissão. Tal participação acaba sendo um canal de acesso aos ingressantes, um acesso para submete-los ao trote, ou melhor, para esmagá-los com o trote (rolo compressor?) dirigido pelos “veteranos” (vikings?). Se for dominada por alunos com este espírito, a Comissão corre o risco de se transformar em veículo para a implantação da cultura do trote, em lugar de ser uma força fundamental para a superação da mesma. Cabe a pergunta: qual contribuição estes alunos poderiam dar a uma Comissão que deseja extinguir ou substituir o trote?
As repercussões da Semana de Recepção mostraram de modo cristalino a necessidade de avançar nas intervenções educativas e nas punições, se a ESALQ realmente quiser se livrar do trote. A resolução do problema parece envolver uma verdadeira transformação cultural, uma reavaliação dos valores e das crenças em que se fundam os processos educativos e as relações sociais dentro da ESALQ.
Acreditamos que as dificuldades para encontrar medidas eficazes para acabar com o trote fundam-se nos problemas existentes para o entendimento e avaliação do mesmo. Grande parte das ações ancora-se nas experiências e nas elaborações dos membros da Comissão e de outras pessoas da ESALQ que emitem opiniões sobre os assuntos. Contudo, estas opiniões não chegam a formar um todo coerente e não são compartilhadas. Cada um parece achar que pode pensar o que bem entender sobre o assunto e que todas as opiniões são igualmente válidas. Assim, o diálogo sobre o assunto parece sempre estar começando. Em outras palavras, ficou evidente a necessidade de um conhecimento e de uma avaliação mais consistente da situação. Ficou também evidente a necessidade de um debate mais amplo sobre o assunto para que visões compartilhadas comecem a emergir. Isto requer um esforço maior da Comissão. Um esforço que não deve ficar restrito ao período da primeira semana letiva.
Precisamos todos entender que nossa ambigüidade em relação ao trote abre espaço para as ações dos “trotistas”. Elas são exploradas de modo a nos colocar uns contra os outros e acaba levando-nos a supor que certas práticas são menos nocivas do que outras. Seria bom lembrar que as formas mais violentas do trote ocorrem, geralmente, em espaços privados fora do campo de visão do grande público. Seria bom lembrar também que existe grande cumplicidade entre os “trotistas” o que torna extremamente difícil distinguir os que cometem verdadeiras barbaridades daqueles que não são tão violentos. Quando os fatos graves ocorrem, não é fácil identificar os culpados e aplicar punições. As próprias vítimas têm medo ou estão comprometidas com o silêncio.
O trote visível e “mais brando” funciona como uma espécie de cortina de fumaça que encobre os atos mais graves de violência. É preciso dissipar esta cortina para poder controlar melhor os mais violentos. Indiscutivelmente, há a necessidade de elevar os custos do trote, aumentando as punições e coibindo radicalmente as manifestações visíveis do mesmo.
Como se trata de fenômeno de caráter “cultural”, é preciso combater seus símbolos e seus mitos, separando as boas tradições da ESALQ daquelas que envolvem o trote e a violência. Os alunos afirmam que o trote é um ritual e, por isto, deve envolver uma “pequena” dose de violência. Mas, quem afirmou que os rituais precisam ser violentos. Por exemplo, o batismo também é um ritual e, até onde podemos perceber, não envolve nenhuma violência. Na verdade, o trote favorece a constituição de uma “cultura” disfuncional para as finalidades da vida acadêmica. É nossa opinião que se deve combater prioritariamente o ciclo reprodutivo dos “trotistas”. Deve-se tentar impedir que os alunos levem trote. Para isto, deve-se dificultar o acesso dos “trotistas” aos ingressantes. E, no ano seguinte, tendo ou não levado trote que o apliquem aos novos ingressantes.
A arrogância, a prepotência, o destemor e o destempero dos “trotistas” em face das autoridades universitárias constituídas e, em particular, em face da Comissão sugerem que eles se sentem fortes, impunes, inacessíveis, acima da portaria do Reitor e do decreto do Governador. Esta atuação sugere também que eles têm recebido respaldo de membros do corpo docente.

Sugestões
- Transformação da Comissão de Recepção em uma Comissão Permanente de Integração

- Melhor utilização dos meios de comunicação de massa para divulgar as atividades realizadas pela Comissão de Recepção e as posições oficiais da ESALQ com relação ao trote.

- Constituição de um fórum de debate sobre o assunto para o corpo docente

- Envolvimento nas atividades da Comissão de alunos desvinculados das atividades do trote ou que tenham um real compromisso com a extinção do trote, em qualquer de suas versões.

- Posicionamento da ESALQ contrário à realização da passeata de libertação dos “bichos”. Contato das autoridades públicas responsáveis pela repressão de eventos desta natureza (Guarda Municipal, Polícia Militar e Polícia Civil). Solicitar o envolvimento dos dirigentes das outras instituições de ensino superior de Piracicaba no esforço de coibir a passeata, pois há alunos de outras escolas que participam deste evento.

- Treinamento da Guarda do Campus com relação às ações que devem ser tomadas frente aos “trotistas”. Equipar a Guarda do Campus para que ela possa documentar os atos de trote. Por exemplo, equipar a Guarda com câmeras fotográficas digitais que permitam registrar os alunos que nadam nos lagos, aparecem fantasiados etc.

- Produção de um vídeo didático sobre o trote.

- Preparação da matrícula de forma a preservar os ingressantes do assédio dos “trotistas”.

- Palestras educativas sobre várias questões envolvidas direta e indiretamente com o trote, entre parêntesis estão sugeridos nomes de especialistas :
o Narcisismo, identidade e adolescência
o Hierarquias sociais, liberdade e cidadania
o História do trote
o Mídia e construção dos valores
o As festas na universidade
o Preconceito e autoritarismo
o A mulher e a universidade
o Psicologia do sadismo e do masoquismo
o A vivência nas repúblicas e ação institucional

- Realização de pesquisas sobre o assunto para apoiar os membros da Comissão e a Direção da ESALQ em suas decisões. Divulgação destes resultados entre os membros do corpo docente, discente e de funcionários.

- Reforço da área de ciências humanas na grade curricular dos cursos oferecidos pela ESALQ. Criação de uma disciplina de humanas no primeiro semestre, auxiliando nas discussões sobre cidadania que a Comissão necessita propor.

- Punição dos recalcitrantes e daqueles que incitam o trote. Punição daqueles que fazem ameaças com o intuito de impedir as manifestações contrárias ao trote. Punição dos atos visíveis e cotidianos do trote como os cabelos com desenhos, o uso do chapéu e fantasias, a natação nos lagos etc.

- Elaboração de outras punições além da advertência, suspensão e expulsão já previstas. Por exemplo, a Comissão de Recepção poderia fechar-se a participação dos alunos envolvidos com o trote e aos membros das repúblicas que tiveram denúncias ou advertências sobre o trote. O mesmo poderia ser sugerido para outras formas de representação dos alunos. Estas medidas precisam contar com a devida validade jurídica. Por isto, elas precisam ser estudadas com cautela, para não desmoralizar o trabalho da Comissão.

***
Publicamente, defendemos a necessidade da extinção do trote na ESALQ em todas as suas versões. Para isto, publicamos alguns artigos no Jornal de Piracicaba, que estamos anexando a este documento para sua ciência e consideração. Assim, esperamos estar contribuindo para a transformação de nossa cultura no sentido de aumentar a dignidade e o respeito humano na convivência dentro e fora do Campus Luiz de Queiroz. Entre as manifestações que recebemos em função da publicação destes artigos encontra-se o relato de uma aluna da ESALQ que passamos a reproduzir.
“Escrevo-lhes para dar-lhes parabéns pela excelente iniciativa de divulgar as atrocidades ocorridas durante o período de trotes na ESALQ. Já era hora de dar um basta nisso tudo. Eu que estou agora cursando o terceiro ano, sofri muito durante o primeiro ano. Não com os trotes mas com o medo de encontrar um “veterano” a cada esquina. Para que vocês tenham uma idéia, eu só fui à cantina próximo ao RUCAS no segundo semestre.”
O texto deixa evidente o clima de intimidação e constrangimento que os ingressantes vivem quando decidem evitar o trote. Este clima precisa ser desfeito e os ingressantes precisam sentir-se seguros em sua própria escola.
Ocorreram ainda manifestações contrárias à publicação dos artigos. Acusaram-nos de tumultuar a Semana de Recepção, de escrever sobre algo que deveria ser mantido no âmbito interno da ESALQ, de colocar em risco a imagem da ESALQ e o trabalho da Comissão etc. Gostaríamos de lembrar que aquilo que escrevemos é fruto de uma investigação que estamos realizando sobre o trote. As práticas descritas no primeiro artigo, que causou tantas críticas, não são as práticas mais “pesadas” do trote na ESALQ. Há muito mais. Muito mais violência que os “trotistas” gostariam de manter em segredo. Algumas destas práticas são verdadeiras monstruosidades. Elas poderiam estar em filmes sobre o nazismo, como Saló de Píer Paolo Pasolini. Segue abaixo uma lista das práticas que descobrimos em nossa investigação.


Ajoelhar
Amarrar peso aos genitais
Apelido
Bichoshow
Bochechinha
Bundobol
Bundograma
Cabo de guerra genital
Cangotinho
Chamar de doutor
Chapéu
Chispada
Cirandinha
Comer com as mãos amarradas
Comer sob a mesa
Defecar na mão do “bicho”
Defenestrar
Deitar no asfalto
Desenhos e pinturas nos cabelos
Fantasias
Frescor erótico
Ingerir bebidas alcoólicas
Mastiguinha
Nadar no laguinho
Nasobol
Nudez
Palitinho
Pascu
Passeata de libertação do bicho
Pintar corpo
Proxeneta
Ralo monstro
Raspar cabelos
Rolar no estrume
Senhor de bicho
Ser chamado de bicho
Servir como empregada
Streap-tease
Trocar lâmpada
Vietnã
Vulcão
Apesar de extensa, esta lista não esgota as práticas do trote na ESALQ.
Ao publicar o artigo: “Trote: o ralo monstro”, durante a Semana de Recepção, nosso objetivo primordial era impedir que tal atividade ocorresse durante esta semana e, se possível, impedir que ela viesse a ocorrer em qualquer data no futuro. Não houve nenhuma intenção de causar transtornos. A urgência da situação levou-nos a decidir pela publicação deste artigo naquele momento e, posteriormente, de outros quatro artigos. Havíamos apresentado aos membros da Comissão, na reunião ocorrida em 16/01/02, um texto onde se encontra boa parte dos argumentos utilizados em nossos artigos. Não obtivemos nenhum comentário em resposta. Assim, sentimo-nos livres para prosseguir, pois, nenhum aspecto negativo havia sido apontado.
Infelizmente, após a Semana de Recepção, o trote continua. Todos os dias e, principalmente nos fins de tarde, assistimos à cenas de trote dentro do Campus Luiz de Queiroz. Os “trotistas” costumam reunir-se, com grande estardalhaço, em frente ao Restaurante Universitário. Muitos chegam inclusive a nadar no lago, em claro desafio às regras vigentes. Os relatos dos alunos de primeiro ano sobre suas experiências em Piracicaba revelam também a continuidade do trote. Durante a Semana de Recepção e depois, vemos alunos com as cabeças raspadas e com logotipos de repúblicas. Estes desenhos seriam mais do que suficientes para caracterizar o trote e para levantar a necessidade de punição.
Para combater as mazelas do trote, colocamos toda nossa disposição e engenho a seu serviço. Estamos confiantes que os senhores adotarão as medidas necessárias, sejam elas as que agora propomos ou outras mais justas e adequadas, para por fim à vergonha que o trote representa para a ESALQ.
Agradecemos sua atenção.


Prof. Antônio R. de Almeida Jr. Prof. Oriowaldo Queda



      

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